sábado, 30 de julho de 2011

labirinto

E, depois de 27 anos de casamento – dois sem falar com o marido –, ela se perguntava como ele podia estar tão frio, aparentar tanta leveza, seguir a vida do mesmo jeito de sempre. É que ela, esse tempo todo, tinha o coração quebrado em vários pedaços e muitas lágrimas soltas e presas. Falava com os filhos, a mãe, a irmã, os sogros. Com ele, silêncio. Aliás, quase ninguém conseguia conversar com ele, não havia liberdade. Era certo que também não estava feliz, era perceptível, mesmo que pouco, a triteza atrás da armadura.

Tudo estava cinza. A casa não era como antes. E, mesmo quando cheia, com sorrisos e visitas queridas, havia os passos do casamento desolado.
Ele sempre fora orgulhoso, ciumento, quieto. Ela sempre coração e palavras. Mas a gente cansa, a gente sempre cansa, e acaba ficando orgulhosa também. Ninguém quer ser sempre o bobo da história. Mas o que fazer, então? Se nada é dito, como resolver? Ninguém pode obrigar alguém a falar, mas se esse também não quer, a solução voa.

É impossível sair de um casamento ileso; é quase impossível, na verdade, sair de um casamento. Requer muita coragem, confiança em si mesmo. Isso sem contar nas coisas "práticas", como dinheiro, moradia, filhos.
Acontece que o tempo passa, e mágoa corrói até os sentimentos mais puros. E é bem isso que está acontecendo: o tempo, a mágoa.

Se ele desse alguma abertura, se fosse mais de falar, se conseguisse contar seus sentimentos.
Ela tem razão em não querer ir atrás dele, mas se depender dele, dificilmente, as letras serão soltas, o que – mais uma vez- fazer, então? Sinceramente, não sei.

Ela é a minha mãe. Ele é o meu pai. Eu sou alguém perdida e triste nessa história toda.

na janela

Abriu a janela, sentiu o sol invadí-lo. Sorriu. Então era assim se sentir livre. A mão estava mais leve, não havia mais o peso da aliança. O dia estava lindo. Ele se sentia bem. Respirou fundo. Sentiu o perfume dela. Só talvez não quisesse tanto assim a liberdade.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

saber

Minha intuição não falha. Eu sabia, meu bem, sabia que, no fim, seria o mar, e meu coração, e o vento, e um pouco de vodka e eu.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Início

O título poderia ser "Fim" , porque seria verdade, mas achei melhor este, pois também é início.

Não poderia passar sem comentar sobre 2010. O ano, para mim, só terminou agora, já que obtive as respostas de tudo que batalhei durante o ano, recentemente.
Foi, sem dúvida, um dos piores anos da minha vida, mas, com certeza, um dos mais gratificantes; Me privei de muita coisa, passei quase o ano todo estressada, confusa.
Mas amadureci uns 4 anos em um. Aprendi que não tem jeito, o que eu quiser, tenho que batalhar pra ter e ponto.

Tudo porque, depois de três anos parada, resolvi fazer pré-vestibular. Não foi uma decisão fácil como pode até parecer. Escrevi sobre isso aqui algumas vezes, mas não diretamente.
O que pesou mesmo foi o sempre medo da frustração, medo de me dedicar e não conseguir, sabe.
Ainda por cima, todos ao meu redor começaram a acreditar em mim, então eu frustraria também outras pessoas, além de mim.

Sei que eu me dediquei, estudei como nunca fiz em toda a minha vida. E, graças a Deus, há alguns dias, descobri que passeeeei.
E tudo valeu à pena, as saídas canceladas, os sábados de aula...
Passei para duas universidades públicas.
E sou, prazer, a mais nova estudante de Relações Públicas.

domingo, 15 de agosto de 2010

Vamos fazer um filme

Você finge que me ama e eu finjo que estou feliz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

E no fim

Enquanto eu decidia o que fazer, você resolveu decidir.
E, embora eu esteja triste, acho que foi o melhor. Não sei se eu teria coragem de colocar um fim, mesmo sabendo que teria mesmo que acabar.

Eu entendo seu coração ocupado, sempre soube. O que eu não entendo é esse sentimento, ainda pequeno, mas estranho por você.
É que foi tudo tão rápido, e eu nem sou assim... nem estou me reconhecendo.

Dá medo, eu tô chorosa, cansada, mas sei que logo passa.
Mas dói pensar nos momentos muuuito bons, e no quanto você parecia ser feito pra mim.
Vai ficar a lembrança boa, eu sei.

Só que, por agora, só quero esquecer, apagar esse incômodo, voltar ao normal, porque o mundo não para.
Nem sei muito, nem entendo muita coisa, só sei que está tudo estranho em mim.

Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo ♪

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Menino lindo,

eu quero morar na sua rua ♪

Demorei muito a dormir, ontem, pensando em tudo que nem quero sentir.
Em como é estranho tudo isso, porque, não, eu não gosto fácil, pelo contrário.
Eu não sou de grandes paixões, grandes amores.

Mas de repente você chega, sorri, e eu começo a sentir essa coisa que nem sei o que é.
E é estranho.. eu sinto, sabe, sinto que também vem algo de você, sinto no seu abraço, no seu beijo, na sua pele, mas eu sei que é pouco provável. Eu sei, embora você não fale, e eu não queira escutar agora, da sua ferida recente, aberta, e eu não quero tapar buraco algum. Gosto de ter meu próprio lugar.

É que eu não sei o que fazer. Eu posso fugir, sair correndo e não olhar pra trás; Posso ficar mais um tempo, analisar mais; Posso só deixar rolar, pagar o que for no final.
A primeira opção é bem mais a minha cara, mas pensar em não olhar pra trás me dói.
Acho que fico com a segunda, por enquanto. Mas não sem inquietação, não sem medo.

Esse ano não é ano pra enlouquecer, tenho que me manter centrada, tenho que continuar indo atrás do que planejei.
Eu tô sufocada, e, sabe, eu nunca vou te falar nada disso.