Eu já me cobrei, algumas vezes, um pouco mais de sinceridade no diário – aham, eu tenho diário. aham, eu já me cobrei sinceridade.
Até já me cobrei escrever certas coisas aqui no blog.
Eu sei que tem coisas que não contamos nem a nós mesmos, mas só há bem pouco tempo, comecei a respeitar meu silêncio. Só agora aceito quando, simplesmente, não quero me contar algo, não quero parar, pensar, analisar, deixar doer, se for o caso.
E nem é fugir, fingir que não existe, é só não querer e ponto. Eu não preciso me obrigar a sentir tudo.
Estou devendo a mim mesma uma conversa longa, sentar, ouvir minha própria voz, me cutucar, tirar umas coisas lá do fundo, mas não é pra agora. Eu não quero.
E tudo bem que não queira, eu não tenho pressa, aprendi a respeitar meu tempo. E quando for, que seja com vontade, que faça bem.
Estou em silêncio comigo mesma pra certas coisas e é bom aceitar isso.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
mãos de hoje
E ela se entregou. Mesmo ainda sendo visíveis os cortes de outrora, mesmo com medo.
Ela sabia que iria formar novas cicatrizes, que teria outras lágrimas. Mas estava cansada da vida de vento formando palavras não ditas, de labirintos feito de sentimentos que começavam na nuca.
Dormir sem dizer boa noite já estava lhe sufocando. Seus passos não eram ouvidos.
E por mais agoniado que fosse, agora era sorriso.
Era declaração barata de um futuro inexistente.
Era promessa que não seria cumprida.
Também era carinho nos pés e cheiro de nuvem.
Ela sentada, contava a si mesma, memórias de um passado quase apagado – quase.
Não podia esquecer, não queria correr o risco de acreditar outra vez.
Não queria mais a fé.
E assim, sem querer mais que isso, foi andar de mãos dadas.
Ela sabia que iria formar novas cicatrizes, que teria outras lágrimas. Mas estava cansada da vida de vento formando palavras não ditas, de labirintos feito de sentimentos que começavam na nuca.
Dormir sem dizer boa noite já estava lhe sufocando. Seus passos não eram ouvidos.
E por mais agoniado que fosse, agora era sorriso.
Era declaração barata de um futuro inexistente.
Era promessa que não seria cumprida.
Também era carinho nos pés e cheiro de nuvem.
Ela sentada, contava a si mesma, memórias de um passado quase apagado – quase.
Não podia esquecer, não queria correr o risco de acreditar outra vez.
Não queria mais a fé.
E assim, sem querer mais que isso, foi andar de mãos dadas.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Amor de fios brancos
Hoje meus avós completam 60 anos de casamento.
E eu me orgulho de ouvir, de ambos, que fariam tudo novamente, que se casariam de novo.
Cresci ouvindo meu avô dizer, ao ouvido da minha avó, que a amava, e sigo ouvindo até hoje.
Os dois têm uma preocupação um com o outro invejável.
Minha avó sempre foi o equilíbrio, a calma. Sempre fez tudo e nunca reclamou de nada.
Meu avô, sempre fortaleza, quem segurava o braço, quando minha avó despencava.
Passaram por muitas alegrias. Tiveram filhos, têm netos e bisnetos, além de muitas pessoas queridas por perto.
Passaram por tristezas também. Perderem um filho e isso é dor que nunca cura.
Ainda choram ao falar dele.
No sofá, estão sempre de mãos dadas e minha avó espera a hora do remédio do meu avô pra irem dormir juntos, mesmo que esteja com muito sono.
Ela se desespera quando ele tem algum problema de saúde.
O coração dos dois não tem tamanho, tem sempre espaço pra mais um.
Histórias juntos, eles têm muitas. Seus fios brancos têm muito o que contar.
E eu me pego pensando, sempre admirada, em como o amor pode durar. Como pode se tornar algo tão sólido e tão amigo.
Compreensão pra passar por cima dos problemas, canção pra levar a vida, sorriso pra espantar a dor... é a sabedoria de quem sabe amar.
E eu me orgulho de ouvir, de ambos, que fariam tudo novamente, que se casariam de novo.
Cresci ouvindo meu avô dizer, ao ouvido da minha avó, que a amava, e sigo ouvindo até hoje.
Os dois têm uma preocupação um com o outro invejável.
Minha avó sempre foi o equilíbrio, a calma. Sempre fez tudo e nunca reclamou de nada.
Meu avô, sempre fortaleza, quem segurava o braço, quando minha avó despencava.
Passaram por muitas alegrias. Tiveram filhos, têm netos e bisnetos, além de muitas pessoas queridas por perto.
Passaram por tristezas também. Perderem um filho e isso é dor que nunca cura.
Ainda choram ao falar dele.
No sofá, estão sempre de mãos dadas e minha avó espera a hora do remédio do meu avô pra irem dormir juntos, mesmo que esteja com muito sono.
Ela se desespera quando ele tem algum problema de saúde.
O coração dos dois não tem tamanho, tem sempre espaço pra mais um.
Histórias juntos, eles têm muitas. Seus fios brancos têm muito o que contar.
E eu me pego pensando, sempre admirada, em como o amor pode durar. Como pode se tornar algo tão sólido e tão amigo.
Compreensão pra passar por cima dos problemas, canção pra levar a vida, sorriso pra espantar a dor... é a sabedoria de quem sabe amar.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Eu tenho medo do escuro
Daí que eu tenho medo de andar sozinha. Aham. Sempre tive medo, mas ultimamente anda maior.
Eu sempre tive meus pais me levando pra tudo quanto é lugar e ,quando não eles, uma companhia qualquer.
E, por conta da minha lerdeza, não presto atenção em nada, nunca olho por onde estou andando se tiver alguém do meu lado.
Daí que algumas vezes já me perdi. E pra completar, ano passado fui assaltada... estando sozinha na rua. E pronto, agora sou medrosa.
Fico nervosa quando sou obrigada a sair sozinha pra um lugar que não conheça, mas como isso quase nunca acontece, eu não ligo.
Mas uma amiga minha me ligou, ainda pouco, me chamando pra ir à casa dela que é beeem longe da minha, e eu queria realmente ir, maaaas estou até com frio na barriga só de pensar. Sério, frio na barriga, por isso vim aqui escrever.. ver se passa um pouco. Porque eu tenho consciência suficiente pra saber que, claro, não posso passar a vida inteira dependendo dos outros, que tenho que saber me virar. Mas sabe coisa que a gente não controla? Então.
Não é sem vergonha que estou escrevendo isso aqui, mas quer saber, é pra mim, e foi justo pra isso que fiz um blog beeem longe do meu mundo real.
Eu sempre tive meus pais me levando pra tudo quanto é lugar e ,quando não eles, uma companhia qualquer.
E, por conta da minha lerdeza, não presto atenção em nada, nunca olho por onde estou andando se tiver alguém do meu lado.
Daí que algumas vezes já me perdi. E pra completar, ano passado fui assaltada... estando sozinha na rua. E pronto, agora sou medrosa.
Fico nervosa quando sou obrigada a sair sozinha pra um lugar que não conheça, mas como isso quase nunca acontece, eu não ligo.
Mas uma amiga minha me ligou, ainda pouco, me chamando pra ir à casa dela que é beeem longe da minha, e eu queria realmente ir, maaaas estou até com frio na barriga só de pensar. Sério, frio na barriga, por isso vim aqui escrever.. ver se passa um pouco. Porque eu tenho consciência suficiente pra saber que, claro, não posso passar a vida inteira dependendo dos outros, que tenho que saber me virar. Mas sabe coisa que a gente não controla? Então.
Não é sem vergonha que estou escrevendo isso aqui, mas quer saber, é pra mim, e foi justo pra isso que fiz um blog beeem longe do meu mundo real.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Real
Me faz ser de verdade, ser inteira.
Cansei da felicidade de plástico.
Sorriso de boneca, redoma de vidro já não me fazem mais.
Eu quero sangrar, sentir brisa fresca no rosto.
Me encolher de medo, e não poder conter as lágrimas.
Quero o frio, o corpo arrepiado.
Sede insaciável, vontade de pular da ponte.
Desejo, vontade incontrolável.
Quero mesmo é sofrer, me descabelar, conhecer a dor por inteira.
E, se for pra ser feliz, que seja real.
Que o suspiro venha da alma, venha rasgando.
Que eu possa delirar, e ainda assim, escrever meus delírios.
Quero banho de chuva no corpo nu, em pleno outono.
Cheiro de tinta, e poder sentir o sol.
Quero ser tudo que pode quebrar
E sempre estar inteira.
Cansei de ser anjo.
Cansei da felicidade de plástico.
Sorriso de boneca, redoma de vidro já não me fazem mais.
Eu quero sangrar, sentir brisa fresca no rosto.
Me encolher de medo, e não poder conter as lágrimas.
Quero o frio, o corpo arrepiado.
Sede insaciável, vontade de pular da ponte.
Desejo, vontade incontrolável.
Quero mesmo é sofrer, me descabelar, conhecer a dor por inteira.
E, se for pra ser feliz, que seja real.
Que o suspiro venha da alma, venha rasgando.
Que eu possa delirar, e ainda assim, escrever meus delírios.
Quero banho de chuva no corpo nu, em pleno outono.
Cheiro de tinta, e poder sentir o sol.
Quero ser tudo que pode quebrar
E sempre estar inteira.
Cansei de ser anjo.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
dentro
Ela oscila entre o preto-e-branco e o colorido. E não sabe de muita coisa ainda.
Mas, esses dias, olhando pela fresta da janela viu um sol fraco na árvore, no prédio, e se encheu de amarelo.
A energia está aqui, a força, a vontade, os sentidos, o sentir.
Não foi de fora pra dentro. Foi de dentro pra fora. No exterior anda tudo igual, no mesmo vazio, falta. Mas conseguir um quente pra alma faz sorrir, cantar.
Esse todo dia, esse empenho anda fazendo bem a ela, e que bom que seja assim.
Começar a acreditar é bom.
E se pudesse colocar estrelas em um pote...
Mas, esses dias, olhando pela fresta da janela viu um sol fraco na árvore, no prédio, e se encheu de amarelo.
A energia está aqui, a força, a vontade, os sentidos, o sentir.
Não foi de fora pra dentro. Foi de dentro pra fora. No exterior anda tudo igual, no mesmo vazio, falta. Mas conseguir um quente pra alma faz sorrir, cantar.
Esse todo dia, esse empenho anda fazendo bem a ela, e que bom que seja assim.
Começar a acreditar é bom.
E se pudesse colocar estrelas em um pote...
quinta-feira, 1 de abril de 2010
meio vazio
E de vez em quando, o buraco do fundo do poço da alma apita, quer palavras, reviravolta, desejo, vento soprando saudade – mas de algo de verdade.
Nessas horas eu interpreto o copo como meio vazio.
Eu sei do tanto de coisa que há do outro lado, mas o meu anda sem nada.
E tudo é motivo pra encher os olhos de lágrimas.
Ouvir o eco faz mal, e esse vento desfeito me entope de coisas que quero sentir e viver.
É que estou muito e estou com pouco. Uma sede e um coração vazio.
Um nó feito por falta, feito pelo querer. Grito preso que não sabe o que dizer.
Está tudo apertado aqui dentro, mesmo cheio de espaço vazio.
Nessas horas eu interpreto o copo como meio vazio.
Eu sei do tanto de coisa que há do outro lado, mas o meu anda sem nada.
E tudo é motivo pra encher os olhos de lágrimas.
Ouvir o eco faz mal, e esse vento desfeito me entope de coisas que quero sentir e viver.
É que estou muito e estou com pouco. Uma sede e um coração vazio.
Um nó feito por falta, feito pelo querer. Grito preso que não sabe o que dizer.
Está tudo apertado aqui dentro, mesmo cheio de espaço vazio.
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