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domingo, 10 de janeiro de 2010

Vento

Não sentia mais o perfume dela, entrando escondido em seu quarto, pra dormir ao seu lado. Não sentia mais incômodo no estômago ao ouvir o nome dela.
Não estava presente em todos os seus sonhos.

Teve outros amores, trocou os CDs antigos por novos. Jogou fora a sua camisa, que era a preferida dela. Jogou, do sexto andar, as fotos. Deixou todas as lágrimas saírem – mesmo que homem não chore -, pra não ser incomodado mais tarde.

Se sentia livre, mesmo que, às vezes, um vento qualquer trouxesse um passeio de mãos dadas. um beijo roubado. um suspiro.
Já sabia agir nessas situações, era só pensar no trabalho, nos planos para o futuro.

E ele saía, e sorria, e brincava, e dançava, e lembrava dela, e pensava no trabalho.
Acreditava na sua felicidade, mesmo sabendo faltar 1/3. Ele podia viver assim, afinal. E era bem mais fácil que perdoar.

Correndo, perdeu um pouco do fôlego, e sentou em um banco do parque. Sentiu um arrepio. Antes que pudesse desviar os pensamentos, o vento trouxe um papel. Uma foto. O número que nunca esquecera, na ponta da língua.
- Sabrina?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Saudade

-Você sabe o que é saudade?
-Sim,eu sei.
Ela perguntou,ela respondeu,e era assim que queria.
Ela sabia o que era saudade.E não só no dicionário,também como era sentir.
Afinal,sempre sentira,de muita coisa,de muita gente.
Mas então o que era isso que estava sentido,agora?

Ele disse que iria embora,disse que não a amava mais.
Ela não fez nada,nem chorou,e foi,exatamente ali,que o sentimento começou.
Foi imediato.
Tinha o formato da saudade.Mais era maior.Maior que o coração.

Foi em uma reunião de amigos,em comum,que se conheceram.Ele,depois contou para ela,que sentiu seu cheiro de frutas vermelhas,quando passou perto,e sabia que seria dele.
Ela o achou lindo.Podia ver seus olhos castanhos e seu cabelo liso,mas podia ver mais.

Sentou,e pôs a mão no coração,para acarinhá-lo,na esperança,que não tinha,de fazer a dor diminuir.
-Não me ama mais?

-Você é linda.
E era o que realmente achava daquela menina, de pele macia,branca,de cabelos escuros,lisos,boca avermelhada e carnuda,que lhe ofereceu um beijo,sem dizer nada.
A lua brilhava sob o mar.E ela sabia que não poderia ter feito melhor escolha,do que ter saído da reunião,e ido à praia.

As Lembranças passavam pela sua cabeça.Eram tantas.Se pudesse esquecer.
Se pudesse correr atrás dele.

A areia era quase um convite já aberto.
Deitaram ali.Observaram o céu.Se tocaram.Ela sentiu a pele quente dele,o desejo em cada parte,aumentando o seu.
Foi o sexo mais bonito que os dois poderiam ter.

Não era a saudade que sentia dos amigos,nem da infância,nem a saudade que sentia dos pais.Não era nem mesmo a saudade dele.Era a saudade do amor.