segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pra ser sincera

Verdade é que você apareceu no melhor momento, pra distrair meu coração pesado.
Me trouxe abraços, palavras, beijos, arrepios, distância e insegurança.

É difícil te ler, moço, e olha que eu tento... eu tento mesmo, e me confundo.
Não adianta, tenho coisas de capricorniana em mim. Eu penso, penso, penso.
Talvez fosse mais fácil só viver, mas e depois? Esse depois...

Eu tenho medo de sofrer mais uma vez, confesso.
E já morro de ciúme. Da sua viagem, da internet, do seu passado.
Não sei se você aguentaria minha histeria, minha posse.
E nem sei o que sinto.

Acreditar em você não é fácil, embora seus olhos fechados confirmem suas palavras.
E os quilômetros? E a gaiola à minha volta? E junho?

E, no fundo, no fundo, eu sei que te direi "sim".

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

É difícil, vô

Difícil ter visto você tão animado saindo de casa, pensando, como todos nós, que só tiraria uma pedra do intestino;
Difícil lembrar da felicidade em saber que a cirurgia havia sido um sucesso;
Difícil lembrar que você já estava comendo de tudo, no hospital;
Difícil, , lembrar de você empolgado, dizendo que logo voltaria pra casa, rindo, fazendo suas palhaçadas e se emocionando, ao saber que tínhamos atravessado a ponte de ônibus, só pra te ver;

Difícil - muito difícil - lembrar do seu silêncio imposto, na UTI. Porque você estava ali, , mas não estava;
Difícil lembrar do médico falando que seu quadro era complicado, que você não estava reagindo. Porra, você estava tão bem antes!!
Difícil saber que, depois de tudo ter dado certo, uma infecção hospitalar te deixou naquele estado;
Difícil ter me sentindo tão impotente;
Difícil ter tido tanta, tanta fé, ter acreditado com toda força da alma, que você ficaria bom;

Difícil dar força, dizer que estás em um lugar melhor, sem ter certeza de nada, afinal;
Difícil olhar pra minha avó, ver sua tristeza, e ter tanto medo que ela não aguente;
Difícil esse arrastar dos dias;
Difícil saber que, ao acordar, não terei você pra dar 'Bom dia' - e ouvir muitas vezes um 'Boa tarde' seu;
Difícil saber que você não participará da minha formatura, não entrará comigo na igreja, como eu queria;
Difícil saber que não vai durar 114 anos;
Difícil lembrar da sua vontade de viver, da sua vontade de voltar pra casa,
Difícil ver minha família assim, incompleta, arrasada;

E há tanto o que resolver, mas falta força para agilizar soluções de um futuro sem você, porque é como tornar real que não voltará mais;
E dói, dói uma dor que eu não sabia, não queria

Difícil não questionar. E eu nem quero mais, porque não adianta, não muda nada. É melhor compreender, aceitar de uma vez, mas é difícil.

Eu não sei direito o que pedir aos céus. Quero pedir por ele, mas não sei.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Eu tenho fé. Enquanto alguns desesperam, outros falam das poucas chances, eu tenho fé. Também tenho medo às vezes, choro sozinha, mas é outra coisa. Pode parecer bobeira, inocência, mas eu acredito.

Sei que ele vai voltar a ser estressado, falar besteira, contar suas histórias infinitas, ocupar seu lugar na mesa, no sofá, na cama - o lugar no coração de todos ele terá sempre!

Ele tem 87 anos, e me prometeu fazer ainda 114.

domingo, 9 de outubro de 2011

saída

São ciclos. A vida é feita de ciclos. Ou essa história da montanha-russa. Sei que é bem isso: bem, mal, muito bem, muito mal. E há até mesmo épocas que tanto faz, nem mal, nem bem.
O que importa é que encontramos a saída, e a melhor: o amor. E, no momento, existe risada, e abraços, e dança na cozinha, e palavras carinhosas. Outras coisas acontecem, mas não posso reclamar.



sábado, 30 de julho de 2011

labirinto

E, depois de 27 anos de casamento – dois sem falar com o marido –, ela se perguntava como ele podia estar tão frio, aparentar tanta leveza, seguir a vida do mesmo jeito de sempre. É que ela, esse tempo todo, tinha o coração quebrado em vários pedaços e muitas lágrimas soltas e presas. Falava com os filhos, a mãe, a irmã, os sogros. Com ele, silêncio. Aliás, quase ninguém conseguia conversar com ele, não havia liberdade. Era certo que também não estava feliz, era perceptível, mesmo que pouco, a triteza atrás da armadura.

Tudo estava cinza. A casa não era como antes. E, mesmo quando cheia, com sorrisos e visitas queridas, havia os passos do casamento desolado.
Ele sempre fora orgulhoso, ciumento, quieto. Ela sempre coração e palavras. Mas a gente cansa, a gente sempre cansa, e acaba ficando orgulhosa também. Ninguém quer ser sempre o bobo da história. Mas o que fazer, então? Se nada é dito, como resolver? Ninguém pode obrigar alguém a falar, mas se esse também não quer, a solução voa.

É impossível sair de um casamento ileso; é quase impossível, na verdade, sair de um casamento. Requer muita coragem, confiança em si mesmo. Isso sem contar nas coisas "práticas", como dinheiro, moradia, filhos.
Acontece que o tempo passa, e mágoa corrói até os sentimentos mais puros. E é bem isso que está acontecendo: o tempo, a mágoa.

Se ele desse alguma abertura, se fosse mais de falar, se conseguisse contar seus sentimentos.
Ela tem razão em não querer ir atrás dele, mas se depender dele, dificilmente, as letras serão soltas, o que – mais uma vez- fazer, então? Sinceramente, não sei.

Ela é a minha mãe. Ele é o meu pai. Eu sou alguém perdida e triste nessa história toda.

na janela

Abriu a janela, sentiu o sol invadí-lo. Sorriu. Então era assim se sentir livre. A mão estava mais leve, não havia mais o peso da aliança. O dia estava lindo. Ele se sentia bem. Respirou fundo. Sentiu o perfume dela. Só talvez não quisesse tanto assim a liberdade.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

saber

Minha intuição não falha. Eu sabia, meu bem, sabia que, no fim, seria o mar, e meu coração, e o vento, e um pouco de vodka e eu.